sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

AS BASES HISTÓRICAS DA PSICOTERAPIA ANALÍTICA DE GRUPO


Foi no início do século XX que a humanidade começou a interessar-se pelos estudos de pequenos grupos, embora possamos encontrar estudos mais remotos onde Mesmer, médico austríaco é citado por volta de 1770 com seu método sugestivo. Realizava sessões de manipulação do magnetismo animal das pessoas onde fazia demonstrações dos fenómenos hipnóticos em grupo, valendo-se de induções hipnóticas mútuas e colectivas e verdadeiras electrizações histéricas em massa.
Podemos dizer que se trata de uma invenção americana do século XX e que entre seus predecessores tinha Joseph Hersey Pratt, tisiologista americano, que em 1905 organizou seu primeiro grupo num sanatório para pacientes tuberculosos no Boston Dispensary. Pratt usava o método didáctico, onde proferia palestras aos seus pacientes tuberculosos, semanalmente, por hora e meia, com um grupo de aproximadamente 20 elementos. Os pacientes mais antigos e que tinham um melhor entendimento eram convidados a sentarem-se a seu lado. Pacientes mais antigos já em alta quando compareciam às reuniões tinham um lugar de destaque.
Nestas palestras, Pratt transmitia informações para ajudar os pacientes crónicos a lidar com sua doença. A partir de observações e percebendo o sucesso do trabalho Pratt e seus associados, estenderam o seu método a pacientes diabéticos e em seguida a pacientes neuróticos. Esse método que mostrou excelentes resultados na aceleração da recuperação física dos doentes, está baseado na identificação desses com o médico, compondo uma estrutura familiar fraternal e exercendo o que hoje chamamos função continente do grupo.
Pode-se dizer que essa constitui uma primeira experiência de terapia de grupo registada na literatura especializada e que embora tenha sido realizada em bases empíricas, serviu como modelo para outras organizações similares, como, por exemplo, os Alcoólicos Anónimos iniciada em 1935 e que ainda se mantêm com uma popularidade crescente.
É fascinante percebermos que na actualidade a essência do velho método de Pratt está a ser revitalizada e bastante aplicada justamente onde ela começou - no campo da medicina, sob a forma de grupos homogéneos de auto ajuda e coordenada por médicos ou por funcionários do corpo médico, não psiquiatras.
Em 1919, Cody Marsh, padre episcopal, tendo entrado na psiquiatria já maduro, utilizou o método grupal com pacientes em contexto hospitalar psiquiátrico, denominado método de classe. Ele dava aulas e fazia provas. Os participantes, chamados de estudantes que por ventura fossem reprovados, eram novamente submetidos ao curso. Ele pretendia que os estudantes tomassem notas, estivessem presentes com pontualidade e atenção. Utilizava também alto-falantes para se comunicar com a população de todo o hospital.
Ele dizia: o doente mental não deve ser considerado como um paciente, mas sim como um estudante que fracassou no grande objectivo da civilização. Talvez possa ser melhor caracterizado pelo seu lema: Pelo grupo multidão, eles foram adoecidos; pelo grupo multidão, devem ser curados.
Em 1921 Edward Lazell, psiquiatra usou o método de Pratt para trabalhar com pacientes esquizofrénicos no St. Elizabeth’s Hospital em Washington D.C. Utilizou debates de grupo, ao longo de linhas psicanalíticas, juntamente com conferências de apoio. Os métodos semelhantes ao de Pratt são chamados de terapias exortivas que agem pelo grupo.
Em 1927, Trigant Burrow, discípulo de Freud e Jung, um dos fundadores da ASSOCIAÇÃO PSICANALÍTICA AMERICANA abandonou o divã em favor de pequenos grupos que eram trabalhados ao ar livre. Nesses grupos, o seu trabalho era realizado através de debates com a participação de pacientes, suas famílias e colegas. Burrow, denominou esse trabalho de análise de grupo e visava nessas sessões grupais estudar em profundidade o comportamento social. A posição de Burrow pode ser resumida da seguinte forma:
1. Rejeita a dualidade terapeuta-paciente. Ambos pertencem à mesma sociedade doente, ambos precisam compreender a psicopatologia da cultura da qual sofrem influências. Neste sentido, ninguém é isento desta influência cultural e a própria normalidade individual só poderá ser entendida dentro de um quadro mais amplo;
2. A terapia deve-se concentrar na observação de duas situações concretas: o aqui e agora dos processos em que vive o paciente e os aspectos genéticos do comportamento;Concentração da observação clínica nas manifestações somáticas do stress como ele é, de facto, vivido pelo paciente, objectiva e subjectivamente e não apenas nos processos de comunicação verbal do paciente, pois esta já se apresenta filtrada pelas posições culturais do indivíduo.
Ele procura portanto, o factor global desconhecido na esfera do comportamento humano. Este factor deve estar na base do comportamento, não apenas no sentido genético mas na própria origem psicossocial da evolução individual.
Burrow quis estabelecer a ponte entre as palavras e as acções, entre o sintoma e sua significação baseando-se não apenas na palavra, mas na própria dinâmica do social presente em cada indivíduo. Ele passou da psicanálise de grupo à filo-análise. Por não ser acreditado, Burrow foi expulso da Associação Psicanalítica Americana. Acredita-se inclusive que foi a partir desse facto que Freud abandonou abruptamente os seus estudos do tema da psicologia de grupo, após ter escrito um tratado a respeito do assunto em 1921.
Nessa época Freud editou Totem e Tabu (1913) Psicologia das Massas e Análise do Ego (1921) que deram uma boa contribuição à compreensão das dinâmicas de grupo. Freud diferenciou os grupos sem líder (multidão), dos grupos centrados num líder. Para ele num grupo onde há um líder, os membros identificam-se uns com os outros e têm uma ligação comum com a figura central (psicoterapeuta - figura parental).
Embora Freud não tenha praticado a psicoterapia de grupo, muitas de suas formulações sobre a psicanálise e psicologia de grupo desenvolveram-se do grupo de estudo que ele organizou com os primeiros seguidores. Esse grupo era composto por cerca de 10 membros (entre eles S. Ferenczi, E. Jones e A. Adler). Separaram-se como resultado de diferenças teóricas irreconciliáveis que podem ter sido sintomáticas dos choques de personalidade entre Freud e alguns dos membros e entre os próprios membros. O seu conceito de que o grupo tem a tendência natural a atacar e destruir o membro mais forte (Totem e Tabu) pode ter surgido da experiência do grupo de estudo do qual Freud era objecto de vários ataques hostis da parte de alguns dos membros.
Foi por volta de 1930 que o trabalho de Psicoterapias grupais passou a ser utilizado de maneira planeada com as contribuições de Jacob L. Moreno, Samuel R. Slavson, Fritz Redl, Louis Wender, Paul Schilder e Alexandre Wolf.Wender. Schilder e Moreno eram psiquiatras, mas S.R.Slavson começou como educador progressista e operador de grupo para mais tarde se tornar num psicoterapeuta.
Paul Schilder começou a conduzir grupos psicanaliticamente orientados na década de 30. Entendia que o grupo recriava a família. Usava a técnica de livre associação: enfatizava que os pensamentos e os sentimentos de um membro estimulavam pensamentos e sentimentos, bem como sentimentos associados em outro. Segundo Schilder no setting grupal, os pacientes percebem que os pensamentos e os sentimentos que parecem ser exclusivos, na realidade são comuns a todos.
A abordagem de Wender teve início num contexto de pacientes internados, envolvendo conceitos combinados da psicologia de grupo de Freud (1921) com interpretações de transferências familiares, nas transacções grupais (3).
Moreno, médico romeno, em 1930, introduziu a expressão terapia de grupo. O amor de Moreno pelo teatro, desde a sua infância, propiciou a utilização da importância grupal do psicodrama, bastante difundido e praticado na actualidade.
Frit Redl, um estudioso vienense de August Aichhorn, em 1942 introduziu grupos diagnósticos de crianças após a sua chegada aos Estados Unidos. Isso foi seguido por muitos anos de trabalho pioneiro no desenvolvimento de abordagens grupais ao tratamento de crianças com transtornos graves de ego, em adolescentes em settings residenciais.
Redl também escreveu a respeito de psicologia psicanalítica de grupo e propagou a aceitação da terapia de grupo por seus pares psicanalíticos.
Alexandre Wolf, impressionado pelos trabalhos de Wender (1936) e Schilder (1936) com grupos, também na década de 30, desenvolveu uma abordagem freudiana à terapia de grupo de adultos. Ele utilizou um derivado da associação livre que incluía a análise da transferência, da resistência e dos sonhos. A psicoterapia de grupo teve um crescimento na popularidade durante a segunda guerra mundial. Os psiquiatras militares devido a grande baixa de psiquiatras, forma forçados a utilizar métodos grupais de tratamento por pura necessidade.
Entre os líderes americanos encontravam-se Samuel Hadden, Alexandre Wolf, Irwing Bergen, Donald Shaskan e Eric Berne.
Quanto aos líderes britânicos achavam-se E. James Anthony, S. H. Folkes, Wilfred R. Bion, Joshua Bierer e John Rickman.
Foi durante a segunda guerra em 1942, que as duas principais organizações de terapeutas de grupo, a Associação Americana de Psicoterapia de Grupo, fundada por S. R. Slavson e a Sociedade Americana de Psicoterapia de Grupo e Psicodrama, criada por J. L. Moreno, iniciaram os seus trabalhos e experimentaram seus primeiros arranques de crescimento, durante o decénio seguinte.
O interesse e as contribuições para o estudo de psicoterapias de grupo passaram a crescer em progressão geométrica. Slavson, engenheiro de formação, foi figura de grande importância na terapia de grupo dos anos 30. Ficou mais conhecido pela sua terapia de grupo activa. Observou que a actividade espontânea das crianças, em certos grupos recreacionais produzia mudanças no comportamento. Desenvolveu o método de terapia grupal de actividade, na qual o líder é permissivo e receptivo e as crianças estão livres para interagir espontaneamente.
O facto das crianças verem o terapeuta como figura parental que permitir a expressão de impulsos hostis e agressivos pode ser uma experiência emocional correctiva. Estendeu aos adultos as suas experiências de grupo de crianças. Para ele a psicoterapia de grupo contem os seguintes elementos: transferência, catarse, percepção, prova da realidade e sublimação. Acreditava que o terapeuta devesse ter informação adequada sobre a psicodinâmica e psicopatologia de cada pessoa do grupo.
Para Slavson deve-se prestar especial atenção ao ambiente em que se faz o tratamento. O processo terapêutico, o processo catártico, as numerosas ocorrências e efeitos concomitantes, tais como correcção e reestruturação das forças psíquicas, tudo enfim, na psicoterapia grupal está condicionado pelo ambiente em que esta se efectua. Este ambiente consiste em vários elementos inter-relacionados: a escolha e o agrupamento dos pacientes adequados, a personalidade, as qualificações profissionais do terapeuta e o meio físico. Diz que o verdadeiro grupo de psicoterapia não deve exceder a 8 pacientes.
Slavson afirma que os diversos valores culturais e as forças que condicionam o paciente com relação à família e ao meio social, forjam operações ultra psíquicas específicas e determinam a patologia. O carácter da psicoterapia deve planificar-se e aplicar-se segundo a junção desses factores. É importante salientar que durante a vida inteira Slavson e Moreno mantiveram uma rivalidade intensa e aberta. O conflito que se estabeleceu, envolvendo também os seus discípulos, parece ter começado com a questão da primazia. O que sabemos é que se não houvesse tanta disputa e competição, hoje poderíamos ter, talvez, contribuições mais ricas ainda, com a junção das suas teorias sobre psicoterapias de grupo.
Depois de 1945, numerosos são os nomes que contribuíram para o fortalecimento da psicoterapia de grupo. Um nome digno de nota é Siegmund H. Folkes de origem alemã considerado como líder mundial da psicoterapia analítica de grupo. Teve contactos com Freud e trabalhou sob a orientação de Adler. Transferiu-se para a Inglaterra em 1933, onde em 1952 fundou a Sociedade Grupo-analítica. Seu contacto com a psicologia da Gestalt levou-o a perceber, cada vez mais, o grupo como uma realidade primordial. Foi capaz de integrar uma visão psicobiológica, psicanalítica (manteve-se sempre fiel aos ensinamentos freudianos) e psicossocial.
Contudo, ele dá elevada ênfase aos factores sociais e culturais, que determinarão a mais profunda estrutura do indivíduo. Ele foi um entusiasta da incipiente concepção holística.
Kurt Lewin tratou a psicologia como uma ciência, substituindo conceitos de classe por conceitos de campo. Com formação em física representou a situação psicológica por dois grupos de conceitos: os matemáticos, descritivos e explicativos e os de conteúdo psicológico. Definiu campo psicológico como o espaço de vida considerado dinamicamente, compreendendo tanto a pessoa como o meio. Lewin usou a topologia para representar os problemas relativos aos eventos possíveis ou não num espaço de vida. A importância maior de Lewin está no esforço que desenvolveu no sentido de integrar as ciências sociais aos estudos dos grupos e principalmente de fornecer-lhes um instrumento científico produtivo. Lewin postulava que qualquer indivíduo por mais ignorado que seja, faz parte do contexto do seu grupo social ou de influencia e é por este fortemente influenciado e modelado.
Lewin é considerado o pai da dinâmica de grupo. Durante a década de 50, o campo da saúde mental, inclusive a terapia de grupo, foi assediado por conflitos sem precedentes entre escolas de pensamentos que competiam entre si e reivindicações de hegemonia. A literatura da psicoterapia de grupo da década de 50 mostrou a aplicabilidade do tratamento de grupo a uma ampla gama de settings clínicos, inclusive hospitais gerias e psiquiátricos, clínicas ambulatórias, programas de reabilitação e instituições correccionais.
As contribuições dos praticantes do grupo britânico das relações objectais, tais como Ezriel em 1950 e Bion em 1959.
O trabalho original de Wilfred Bion de 1961 salientou os processos ambivalentes dos membros individuais uns com os outros e com o líder de um grupo. Ele não postulou um instinto gregário ou mente grupal: acreditava que as ideias do tipo que se desenvolvem em grupos, são os produtos da regressão dentro dos membros individuais, que ocorre quando as pessoas são ameaçadas por uma perda de sua distinção individual. Os fenómenos descritos por Bion referem-se muitíssimo ao líder do grupo. Observou que os grupos na sua presença, invariavelmente, pareciam ter-se reunido para dois propósitos: funcionar como um grupo de trabalho ou como grupo de pressuposto básico. Da última categoria, três processos distintos foram inferidos:
*dependência,
*luta-fuga
*acasalamento.
No primeiro caso, o objectivo do grupo parece ser a dependência, onde tome conta deles um líder omnipotente e omnisciente que é idealizado a um nível quase religioso.
O segundo processo inferido no grupo de pressuposto básico é o de luta e fuga, uma função cujo modo primário é a acção e o objectivo do processo é a preservação do grupo a todo custo.
O terceiro processo do grupo de pressuposto básico é o de acasalamento. O objectivo do grupo é o de reproduzir-se. O líder é imaginado como “ainda não nascido” e o futuro é tudo o que conta.
Quanto a escola francesa na década de 60, com os trabalhos de psicanalistas franceses como D. Anzieu, R. Kaës e outros que desenvolveram trabalhos sobre a dinâmica de grupos com um novo enfoque, aprofundaram o conceito de inconsciente grupal, propondo uma série de articulações originais entre o Kleinismo dominante e alguns conceitos psicanalíticos reformulados pela escola de J. Lacan. Com as concepções teóricas desses dois autores, o edifício que abriga as terapias de grupo começa a adquirir alicerces referenciais específicos e representa uma tentativa no sentido das dinâmicas de grupo adquirirem uma identidade própria.
Quanto a escola Argentina podemos citar nomes de psicanalistas como Grimberg, Langer, Rodrigué , Geraldo Stein e Ruben Zuckerfeld. Temos também o nome de Janine Puget que tem estudado e divulgando a moderna “Psicanálise das Configurações Vinculares”, com casais, famílias e grupos.
by Maria Imaculada C. Anacleto

LIDERANÇA



Liderança é a realização de metas por meio da direcção de colaboradores.
No processo de liderança é importante observar que sempre vai existir o Influenciado e Influenciador.


Autoridade Formal:
Fundamenta-se na crença dos seguidores a respeito das qualidades do líder e de seus interesse em segui-lo.
Liderança é a autoridade que tem base social e portanto, depende das qualidades intrínsecas do líder, não do cargo ou posição.
Esta liderança fundamenta-se como afirmou Weber, na "devoção afectiva e pessoal dos seguidores".

Competência Técnica
A confiança da equipa aumenta com a percepção de que as decisões do líder são correctas, porque ele é tecnicamente competente e justo.

Relações Pessoais
A capacidade de influenciar os seguidores é um dos pontos positivos que o líder tem que ter consigo, para que seu grupo chegue aos objectivos traçados, tais como:
* Amizade, ser agradável, ser bom negociador, elogiar os objectivos alcançados e etc...

Gosto pelo Poder
As pessoas que tem necessidade de estar em alto nível procuram cargos que tenham poder e procuram influenciar outras pessoas e o seu ambiente.

Traços de personalidade
Na liderança um dos traços é o senso de identidade pessoal,associado ao líderes.
No estudo das bases da autoridade e da liderança é importante considerar outras hipóteses sobre o poder e a capacidade de influenciar o comportamento alheio. Existem três categorias:
*Coercitivo, associado à punição
*Manipulativo, associado à recompensa
*Normativo, associado a crenças e símbolos

Poder de Negociação
As pessoas controlam recursos que outros desejam a às vezes, usam esses recursos para utilizar em troca de outros.

Autocracia e Democracia
Estes termos são antigos e foram transportes do terreno da política para administração tais como: escolha do dirigente e poder de decisão num grupo - quando este grupo escolhe o seu próprio líder, há democracia.

Estilos de Liderança
*Orientada para as pessoas: Modelo democrático
*Orientada para tarefa: Modelo autocrático
Outros Estilos de Liderança
*Direcção, Treinamento, Apoio, Delegação

Liderança Bidimensional
A liderança orientada para a tarefa e pessoas, em princípio, foi considerada antagónica, com estilos opostos, assim como autocracia e democracia. Com o avanço de pesquisas sobre a liderança, verificou-se que tarefa e pessoas não são pólos opostos da mesma dimensão. Eles interligam-se e completam-se.

Eficácia do Líder
É identificar as condições de sucesso para cada estilo.
A eficácia e ineficácia do líder, pode revelar as dimensões das pessoas e a dimensão das tarefas.

Liderança Situacional
Procura resolver os problemas ajustando-os a um estilo.
Situações que os líderes enfrentaram permitem avaliar o grau de favorabilidade.

Características: Relações, Estruturação, Poder.
Quando mais maduro o seguidor, menos intenso deve ser o uso da autoridade pelo líder e mais intensa a orientação para o relacionamento.

Superando a liderança
O novo papel do líder coincide com a ideia da super-liderança, que consiste em auxiliar as pessoas, como indivíduo ou integrantes de um grupo.
*Os líderes devem dominar sete capacidades essenciais para que a organização/grupo o acompanhe:
*Olhar para além das suas fronteiras para descobrir o que de diferente pode ser feito (desfocar o problema e foca-lo novamente, com a solução)
*Desafiar
*Visão
*Reunir aliados
*Criar uma equipa
*Partilhar os méritos
*Desenvolver novos líderes

CRIATIVIDADE


A criatividade é uma qualificação e não apenas um talento inato. Apesar de algumas pessoas serem mais criativas do que outras, todos podemos tornar-nos pensadores mais criativos se estivermos dispostos a praticar; é uma competência que se conquista com algum treino. E é cada vez mais uma qualificação essencial em qualquer currículo. Já não é suficiente ter algumas pessoas criativas numa organização; é preciso que a própria organização se torne criativa, graças ao conjunto de colaboradores com estas características.

Diferentes definições de criatividade:

“Criatividade é pegar num tema, numa pergunta, numa noção ou numa ideia, fazê-la circular, dispersá-la, associá-la, virá-la, pegar-lhe ao contrário, voar com ela, o mais longe possível fora da vista, sem nunca voltar. Mas, de repente, ei-la que reaparece mudada, nova e essencial, como nunca esteve antes.” John Kao

“Criatividade é a característica de alguém que regularmente resolve problemas ou define novas questões, num domínio específico, de uma forma que inicialmente é considerada nova, mas que depois é aceite num dado contexto cultural.” Howard Gardner

“Criatividade é mudança inédita do ponto de vista, em relação a um determinado quadro cognitivo, dentro do qual tudo o que se sabe sobre ele não é capaz de resolver um problema que se encontra, também, no seu interior.”

“Criatividade é o processo que resulta num produto novo que é aceite como sustentável, útil ou satisfatório, por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo.” Morris Stein

“Criatividade é uma combinação de flexibilidade, originalidade e sensibilidade das ideias que permitem ao pensador romper com as habituais sequências de pensamento, iniciando diferentes e produtivas sequências, cujo resultado origina satisfação para ele e talvez para os outros.” Powell

“Criatividade é uma clara representação, na mente, de um problema, seguindo linhas novas ou não convencionais, da qual resulta a produção de uma ideia, conceito, noção ou estrutura.” Edward De Bono

“Criatividade é uma forma de solucionar problemas mediante intuições ou combinação de ideias, provenientes de campos muito diferentes de conhecimentos.” Gagné

“Criatividade é a actividade que faz surgir um novo produto de relações que procedem, por um lado, da individualidade da pessoa e, por outro, das matérias, acontecimentos, pessoas ou circunstâncias da sua vida.” Carl Rogers

Características predominantes das pessoas criativas:

§ Fluência e flexibilidade de ideias;
§ Pensamento original e inovador;
§ Alta sensibilidade;
§ Fantasia e imaginação;
§ Inconformismo;
§ Inquietação mental;
§ Independência de julgamentos;
§ Abertura a novas experiências;
§ Uso frequente de analogias e combinações incomuns;
§ Ideias elaboradas e enriquecidas;
§ Preferência por situações de risco;
§ Alta motivação e curiosidade;
§ Elevado senso de humor;
§ Impulsividade e espontaneidade;
§ Confiança em si mesmo ou auto-controlo positivo;
§ Sentido de destino criativo (atitude de se ser responsável em contribuir para que algo na humanidade mude)

Carl Rogers, um humanista que vê a criatividade como a necessidade e tendência que o ser humano tem para se auto-realizar, vai mais longe e afirma que as pessoas criativas possuem ainda:
§ Tolerância às ambiguidades;
§ Ausência de rigidez nos comportamentos e pensamentos;
§ Confiança nos seus próprios sentimentos e percepções;
§ Necessidade de procurar a auto-realização, desfrutando o momento presente e adaptando-se ao meio;
Para este pensador, a criatividade está intimamente ligada à própria saúde mental do indivíduo. O seu desenvolvimento abre-lhe as portas de outras dimensões; permite-lhe uma mais completa expressão da sua individualidade.

As cinco etapas do processo criativo:

1-Apreensão
- o indivíduo tem a percepção de que tem um problema para resolver, sente-se perturbado por algo que quer solucionado.

2-Preparação - o indivíduo faz as suas próprias investigações sobre o problema que o afecta, lendo, anotando, discutindo, coleccionando factos, consultando outros dados, explorando tudo o que está ao seu alcance.

3-Incubação - surge como a consequência directa da fase de preparação. À medida que vai lendo, investigando, consultando, o indivíduo vai sendo confrontado com uma torrente de dados novos que vão sendo elaborados ao nível do seu inconsciente. Pode parecer que o indivíduo não está a fazer absolutamente nada para resolver o seu problema. A fase da incubação tem uma duração altamente variável e pode até ser desanimadora para quem a vive. Mas dá sempre os seus resultados.

4-Iluminação - O clímax ou “aha” do processo criativo surge espontaneamente e sem que o indivíduo possa prever a sua chegada. A ideia iluminadora pode surgir num momento de relaxamento, durante o sono ou durante a realização de uma qualquer tarefa.
A forma como o “aha” se traduz varia de situação para situação e de indivíduo para indivíduo, mas mostra que em termos internos o indivíduo tinha como preocupação a resolução de um determinado problema.

5-Verificação - Nesta fase, conclui-se o processo criativo. É o momento de pôr em prática todas as ideias novas, as diferentes soluções encontradas. Se nas etapas anteriores o indivíduo criativo/ criador estava em contacto consigo mesmo, agora passa a estar em contacto com o exterior. É o momento de verificar o impacto da sua obra junto dos outros; de receber a sua crítica, elogio e avaliação.
Muitas vezes, e graças ao feedback recebido, o criador sente-se impelido a alterar certos aspectos, tentando assim conseguir chegar a uma solução ou produto mais elaborado e eficaz.

Principais barreiras à criatividade:

DENTRO DO INDIVÍDUO:

Ao nível da percepção:
Vermos apenas o que queremos ver impede-nos de ver o todo. Ver um problema de forma isolada permite-nos apenas construir um cenário parcial e redutor. Ter uma definição estrita, pessoal e subjectiva do problema corta-nos as asas.

Ao nível da percepção, são altamente bloqueadores da criatividade individual os seguintes comportamentos:
- ver apenas o que se quer ver;
- incapacidade de se interrogar para além do evidente;
- não acreditar na sua criatividade;
- manter uma estreiteza de vistas;
- dificuldade de utilizar todos os sentidos;
- apresentação e aceitação prematura de “soluções”, que dificilmente acabam por sê-lo, depois, na prática;

Obstáculos culturais vigentes:
Ao contrário do que geralmente se verifica, o julgamento e as críticas devem ser percebidos positivamente, ou seja de forma construtiva e como motores de desenvolvimento, alavancas de transformação. Ter imaginação ou humor não é uma perda de tempo. A tradição é um valor seguro, mas não esgota a panóplia de soluções possíveis. Os tabus não devem ser vistos como sagrados. E os dogmas não devem ser aceites de forma cega.
Ao nível cultural, os principais bloqueios à criatividade individual são:

- Tendência para o conformismo, por desejo de pertença a um grupo;
- Crítica imediata das novas ideias;
- Imaginação e humor considerados como perca de tempo;
- Tendência para radicalizar, isto é, apenas aceitar o “tudo ou nada”;
- Excesso de dependência e confiança cega nas estatísticas e experiências passadas;
- Excesso de racionalidade e de pensamento lógico.

Obstáculos ao nível do ambiente em que os membros estão inseridos:
§ Por exemplo, ter uma actividade rotineira, repetitiva e estupidificante, que evita/impede de pensar.
§ Trabalhar num clima de falta de cooperação e de confiança entre pares ou colegas.
§ Estar sob as ordens de dirigentes que têm resposta para tudo e só valorizam as suas próprias ideias.
§ Ter falta de suporte e de meios para concretizar as ideias.
§ Estar inserido num grupo de pessoas com estatutos, graus de autonomia e poder, bem como idades muito diferentes.

Obstáculos emocionais mais frequentes:
§ Exprimir ideias “significa” correr riscos , expor-se às críticas e ao ridículo.
§ O medo de ser julgado, de cometer erros e necessidade de segurança são factores paralisantes para certos indivíduos.
§ A inclinação natural para a crítica negativa ou para mostrar dominação de certas hierarquias também tolhe a criatividade dos seus colaboradores.
§ Ser incapaz de se relaxar e de "cobrir" a ideia.
§ Ter pressa de ter êxito.
§ Ser inseguro, tímido, ter baixa auto-estima.
§ Ter convicções e auto-crenças limitadoras.

Principais medos do indivíduo enquanto inimigos mortais da criatividade:
§ medo do risco e de parecer ridículo;
§ medo de ser julgado;
§ medo de correr o risco de ser pioneiro, e de estar em minoria;
§ medo de instabilidade e total necessidade de segurança;
§ tendência à crítica negativa;
§ ser incapaz de se descontrair;
§ pressa de ter êxito;
§ falta de capacidade de maturação das ideias.

DENTRO DO GRUPO:

Falta de Flexibilidade:
A preocupação com os resultados leva a que, em algumas organizações, se considere quase como subversivo qualquer método ou processo de trabalho diferente do inicialmente previsto ou proposto. A diversos níveis se ouvem, por vezes, afirmações ou posições que desligam a actividade do "fazer" das actividades de "pensar" e/ou "criar".
Assim sendo, são desaconselhadas todas as intervenções do tipo: "Você está aqui para fazer e produzir e não para pensar!"
Igualmente perniciosas são todas as atitudes que induzam os colaboradores a adoptar a seguinte posição: "Eu sou pago para fazer e não para pensar”, já que estas constituem enormes barreiras ao pensamento e à criatividade.

Execução e Criação:
Uma das razões mais comummente apresentadas para justificar a falta de inovação nas empresas é o envolvimento em actividades executivas em detrimento de actividades de natureza mais criativa.
É pressuposto que, quanto mais elevado é o nível hierárquico, menor envolvimento em tarefas rotineiras e administrativas mas, na maior parte dos casos não é isto que sucede e, inúmeras vezes, os gestores funcionam a um nível eminentemente operacional ficando a componente estratégica relegada para segundo plano.

Falta de comunicação interna
A comunicação numa empresa está associada ao grau de cooperação existente entre os seus membros. Quando existe falta de comunicação, normalmente isso significa um clima de trabalho onde predominam a insegurança, a desconfiança e desmotivação e o medo de errar; como tal, a falta de cooperação saudável entre os vários elementos ou até mesmo departamentos.
Quantas ideias surgidas num determinado grupo ou sector da empresa não poderiam vir a beneficiar outras áreas se fossem divulgadas?
As competições destrutivas estão muitas vezes na origem da falta de cooperação entre as equipas. Procurar compreender as principais barreiras à criatividade e inovação é um bom ponto de partida para gerar um espírito de flexibilidade que ajude a eliminar essas barreiras e a construir um ambiente facilitador à expansão de processos criativos.

DINÂMICAS - EXEMPLOS



Dinâmica da "Escultura"
Esta dinâmica estimula a expressão corporal e criatividade.
2 x 2 ou 3 x 3, os grupos devem fazer a seguinte tarefa:
Um participante trabalha como escultor enquanto os outros ficam como estátuas (parados).


O escultor deve usar a criatividade de acordo com o objectivo esperado pelo Coordenador, ou seja, pode querer:
-estátua mais engraçada
-estátua mais criativa
-estátua mais assustadora
-estátua mais bonita, etc.
Quando o escultor acabar (estipulado o prazo para que todos finalizem), o seu trabalho vai ser julgado juntamente com os outros grupos. Pode haver prémios ou apenas palmas.

Dinâmica do"Mestre"
Em círculo, os participantes devem escolher uma pessoa para ser o adivinhador.
Este deve sair do local.
Em seguida os outros devem escolher um mestre para encabeçar os movimentos/ mímicas. Tudo que o mestre fizer ou disser, todos devem imitar.
O adivinhador tem 2 chances para saber quem é o mestre. Se errar volta e se acertar, o mestre vai em seu lugar.
Esta dinâmica busca a criatividade, socialização, desinibição e a coordenação.

Abra as mãos
Objetivos:
Desenvolver a comunicação, o saber ouvir, o poder de persuasão, a negociação, a argumentação, a criatividade, a acção sob pressão e a assertividade.

Nº de Participantes:
de 10 a 20 participantes

Material:
Não necessita de material

Desenrolar:
O facilitador solicita que os participantes formem pares e fiquem frente a frente, em pé.
Uma ideia para a separação em aleatória dos pares é utilizar-se as cartas de baralho comum, jogo da memória.
A dinâmica dá-se da seguinte forma:
um integrante do par, fecha as mãos. O outro deve, sem nenhum toque físico, persuadir o colega a abrir as mãos.
Pode ser dito o que quiser: qualquer argumentação é válida. Cabe à pessoa que está com as mãos fechadas decidir quando e se deve abri-las. Trata-se de um diálogo, não um monólogo.
Assim sendo o facilitador deve deixar claro que ambos, na parelha, devem interagir.·
O tempo sugerido para esta dinâmica é de 2 minutos, porém ficará a critério do facilitador. Se algum par cumprir o objectivo de abrir as mãos antes deste prazo, deve aguardar pelos outros pares
Considerações:
O facto do participante conseguir fazer com que o colega abra as mãos, não significa que este profissional terá mais "pontos" ou a sua performance será "melhor avaliada" do que aqueles que não conseguiram. O que se quer observar neste exercício é a forma como cada um se comunica e argumenta e não se conseguiram ou não convencer o colega.

Espelho triplo
Categorias:
- Comunicação
- Liderança
- Negociação e gestão de conflitos
- Resolução de problemas e tomada de decisão

Objetivos:
Permitir introduzir temas como liderança, acúmular de tarefas, centralização, comunicação verbal e indiferença.

Nº de Participantes:
no mínimo 4 participantes

Material:
Não necessita de material

Desenrolar:
O facilitador divide os participantes em grupos de 4 pessoas.
Em cada grupo, coloca-se uma pessoa em frente a outra, formando uma roda em formato cruz (+) e eleje-se uma pessoa que será o líder.
Ao sinal de início os participantes deverão seguir as regras:
- a pessoa na frente do líder tem que fazer mesmos os movimentos do líder, imitando-o;
- a pessoa à direita do líder tem que puxar conversa e o líder tem que responder;
- a pessoa à esquerda do líder tem que sentir que tem a sua atenção. Se isto não for atendido, ela retira-se da roda. Cabe ao líder não deixá-la sair e dar-lhe a maior atenção possível.

Após algum tempo, muda-se o líder na roda até que todos passem pelo mesmo "transtorno" de ser este "líder".
Ao final o facilitador verifica com o grupo como se sentiram em cada um dos papéis, podendo observar:
- Quantas vezes, nós mesmos, já tivemos que passar por este tipo de situação, fazendo mil coisas ao mesmo tempo?
- Quantas pessoas querem exercer o papel de líder, porém sem saber a pressão que isto representa?
- Quantas vezes ouvimos as nossas próprias necessidades?

Escolha as suas Lideranças
Objetivo:
Dar-se conta da percepção que o grupo tem de cada um de seus membros; possibilitar a identificação de lideranças.

Material: Papel e lápis.

Desenvolvimento:
1) Formar subgrupos.
2) Cada subgrupo ocupa um lugar na sala, sentado.
3) O facilitador distribui papel e lápis para cada subgrupo, que deve escolher, dentre todos os participantes do grupo, lideranças para as seguintes situações:
- um piquenique;
- uma festa;
- um acto religioso;
- um grupo de estudo;
- uma greve estudantil;
- campanha para arrecadação de alimentos;
- para construção de uma casa;
- uma gincana;
- um aniversário surpresa.

4) Os subgrupos apresentam suas escolhas e justificam.
5) Cada participante deve anotar as situações para as quais foi indicado.
6) Plenário - analisar e reflectir as indicações feitas:- comentar as indicações recebidas;
- comentar as indicações com as quais concorda e/ou discorda;
- partilhar com o grupo o que lhe chamou mais a atenção?

7) Fecho: o facilitador explica a todos que, quanto mais lideranças houver num grupo, mais rico este será, pois assim aproveitam-se as diferenças e aptidões individuais para o benefício colectivo.

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